O Brasil, ainda com a vacinação em ritmo lento e o número de casos elevados, enfrenta o risco de uma terceira onda da COVID-19, impulsionada pela variante Delta e pela baixa imunização da população.
Uma nova preocupação surge com a descoberta de um paciente de 45 anos, identificado com a cepa indiana, a variante Delta, em São Paulo. Segundo a Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CONVISA), o homem não viajou nem teve contato com alguém que tenha viajado recentemente, o que indica que a transmissão pode ter ocorrido de forma comunitária. Este cenário eleva as suspeitas de uma disseminação mais ampla da variante no país, que já é confirmadamente mais transmissível e pode reduzir a eficácia das vacinas, como apontado em estudos realizados em Israel com a Pfizer.
Embora a vacinação tenha avançado em alguns países, a variante Delta tem forçado diversas nações a considerar medidas de reforço, antecipação de doses e até a combinação de diferentes tipos de vacinas para aumentar a resposta imunológica. Um exemplo disso é o Reino Unido, que, após adotar uma combinação de vacinação em massa e medidas rigorosas de isolamento, conseguiu reduzir os casos e óbitos. No entanto, com o relaxamento das medidas e o aumento da infecção pela variante Delta, a média de novos casos aumentou drasticamente nas últimas semanas, sinalizando o risco de uma nova onda.
No Brasil, a situação é mais grave, uma vez que o número de mortes ainda está elevado. A média móvel de óbitos permanece acima de mil, e com o aumento da disseminação da variante Delta, muitos especialistas, incluindo o ex-presidente da ANVISA Gonzalo Vecina, alertam para os perigos de uma terceira onda, que poderia ser devastadora, dado o baixo índice de vacinação da população, que atualmente está em apenas 13,13%.
A solução ideal, apontada por especialistas, seria uma combinação entre uma campanha de vacinação mais rápida e eficaz, associada a medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras, distanciamento social e restrições de aglomeração. No entanto, com as atuais políticas do governo, que têm se mostrado insuficientes para acelerar o processo de imunização, especialistas sugerem que a pressão por mais vacinas seja intensificada. Talvez um redirecionamento da CPI da COVID-19 para tratar do tema da vacinação possa ser uma alternativa para trazer mais atenção a essa urgência.
Diferente do Reino Unido, que registrou um aumento no número de mortes a partir de patamares baixos, o Brasil enfrenta o desafio de lidar com uma média de mortes já elevada, o que torna ainda mais alarmante a possibilidade de uma terceira onda, que poderia trazer consequências devastadoras para o país.
Dados do Brasil:
- Média móvel de mortes nos últimos 7 dias: 1.557
- Casos confirmados em 24 horas: 62.730
- Casos acumulados: 18.854.806
- Casos ativos: 1,598 milhão
- Vacinação:
- 78,475 milhões de pessoas vacinadas com pelo menos uma dose (37,06% da população)
- 27,795 milhões de pessoas imunizadas (13,13% da população)
- 1,130 milhão com dose única
Dados Mundiais:
- Casos totais: 185,2 milhões
- Óbitos totais: 4.010.600
- Ranking de mortes:
- EUA: 621,6 mil
- Brasil: 527 mil
- Índia: 404,2 mil
- México: 234 mil
- Reino Unido: 128,3 mil
Dados baseados nas informações fornecidas pela Universidade Johns Hopkins (JHU).
Essa situação exige urgência e ação coordenada para evitar que o Brasil enfrente um novo aumento de casos e mortes, com sérias implicações para o sistema de saúde e para a sociedade como um todo.